RONDA
a vigília começa: somos
a mesma farda, a mesma lida
arma muda, facho de luz no escuro do rito
passo.
piso devagar,
paro
um silêncio de ferro me habita: sou
pacto e peso de falar sozinha
serviço que não finda
a arma dorme no couro: é
o Corpo
que resiste em afundar barcos
a ferida neste vidro é um milagre disputado, sim.
ainda estou viva
e é inútil pensar no vento
que sopra como sempre ao movimento das andorinhas
eu apenas teimo com uma cicatriz no punho
como um mato qualquer
este ventre que é verbo
e fúria
a memória
dos passos do meu avô vigilante
me encara no reflexo da porta
desejo de liberdade: ainda somos
as que andam por aí
vadiando
escrevendo
com o pensamento nas meninas
adubo para tamareiras cada vez mais doces
ao sul do Irã.



Meninas e meninos iranianos virando adubo...que tristeza! NO WAR.
que coisa mais forte, um pouco Zila, um Maíra. Ô mulher uterina, forte.